21 de dezembro de 2011

(96)

Chegou a minha porta em plena manhã de domingo, barba por fazer, cabelo despentedo. E me encontrou igualmente despenteada, com as mãos e o pijama sujos de barro. Não disse nada. E como uma haste cravada no chão a qual se segura uma planta noviça para que não se vergue, me fez lembrar quem eu sou... todo prazer contido, na existência.

31 de outubro de 2011

(97)

Sobre tanta superficialidade, as vezes penso como um poeta. Que por destinado a sofrer, o sofrimento que já não lhe doe, clareia a visão. Queria ser como Vinícius, saber das castas e impuras coisas da vida, respeita-las tão certa como elas vão acontecer. Os extremos inatingíveis estão na esquina, pisando terra e céu sem bem saber onde vão meus pés.

(98)

Para começar o dia, só mesmo uma boa gargalhada das peripécias da vida.

(99)

Oh furor incontido! Que faz-me renascida para a eterna novidade do mundo, eu o saúdo com toda a glória que um ser preenchido de plenitude pode dispor! Estar vivo e ter consciência de tal condição me remete a uma desconexa rede compilatória de paradigmas e certezas absolutas e absurdas! Alguns momentos se desprendem da realidade tão abruptamente que me põem assim, num estado onde a massa e a aceleração resultam em uma espontanea inércia. Um caos formado e organizado dentro de teias sinápticas, onde íons e quimiorreceptores se embarralham, perdendo suas rotas de polarização num balé desritmado. Eu parada, olhando, ouvindo e desacreditando de minha própria sanidade. Derretendo psicoorgasmáticamente, um livro na mão, e um peixe nos olhos!

(100)

Estou atrasada! Pelo menos duas ou três gerações. Definitivamente nasci na época errada. Essa minha geração não é pra mim. Quero namorar com meu avô, e me casar (casar?) com um homem que tenha os princípios morais que aprendi que um homem deve ter. Os homens dessa geração não são pra mim, quero chegar em casa e ouvir um bom e velho Rock´n Roll, tomando um bom chá de pêssego colhido do pé. Quero pegar a motocicleta, subir de onde se aviste a cidade e tocar a noite inteira uma música qualquer que fale de um sentimento verdadeiro. Estou farta dessa geração de pseudos. Pseudos intelectuais que não lêem livros, pseudos românticos que desconhecem o significado de mandar flores, pseudos amigos que não conseguem dizer a verdade. Estou atrasada. Meu relógio parou. Fui em uma festa onde a rainha da noite é quem beija mais caras, e eu não beijei ninguém. Estou errada, eu e a cigana na estação de trem que pegou minha mão e disse que eu não era o que aparentava ser. Estou errada em tudo, ou estou realmente atrasada. Sou da geração em que as meninas escrevem diários e pedem a benção aos pais. Vou casar com um homem que lê folhetins da ditadura enquanto repousa em uma cadeira de balanço, que carregue douçura no olhar, e que talvez morra nos próximos dois anos, de pneumonia ou uma dessas doenças que atingem a melhor idade. Não entendo o porque desse desmedido atraso. A culpa é do meu avô, só pode ser dele. Que ensinou ao meu pai, que me ensinou, como me comportar. Que me ensinou que não é necessário mostrar a polpa da bunda pra se chamar a atenção de um homem (mas os homens dessa geração preferem as bundas). Se eu tivesse 70 anos juro que casava com ele. Mas meu relógio parou, e eu só tenho 23.

16 de outubro de 2011

Un café de ciudad, un café de verdad.
















♫ Pago por ver lo que he perdido

la capital te atrapó, te embriagó
En el triste ritual del olvido

Y en un café , un café de ciudad
me contaste otra vez tu destino ♪



Vergonha na cara não faz mal a ninguém!

1 de outubro de 2011

8 de setembro de 2011

Madrecita, scusa mio ritardo!


Palestra: Escorpionismo








Mesa Redonda (da dir para esq) : Profº Dr. Marcos Antônio Pesqueiro UFG, Profº Dr. Marcos Bragança UFT, Profº Msc. Tiago Kutter Krolow INPA, e a Lú filosofando Tityus
 



Catitta e la famiglia



1 de setembro de 2011

Overdose de Saramago


Esta manhã troquei a meditação por José Saramago...
confesso que ainda estou sobre o efeito de suas lacônicas palavras.

 
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
 
Não me peçam razões, que não as tenho!
Ou darei quantas queiram:
Bem sabemos
que razões são palavras,
Todas nascem
da mansa hipocrisia que aprendemos.


Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

30 de agosto de 2011

16 de agosto de 2011

Rápido (Luis Fernando Veríssimo)

Quer dançar?
- Obrigada.
 - Você vem aqui sempre?
 - Venho.
 - Vamos namorar sério? 
- Bom... Você tem que falar com o papai..
 - Já falei com seu pai. Agora é só marcar a data. 
- 26 de julho?
 - Certo.
 - Não esqueça as alianças... 
- Você me ama?
 - Amo.
 - Mesmo?
 - Sim. 
- Sim.
 - Tudo está acontecendo tão rápido...
 - Sabe o que foi que disse o noivo nervoso na noite de núpcias?
 - O quê?
 - Enfim, S.O.S.
 - Você estava nervoso?
 - Não. Foi bom?
 - Mmmm. Sabe de uma coisa?
 - O quê? 
 - Eu estou grávida.
 - É um menino!
 - A sua cara...
 - Aonde é que você vai?
 - Ele está chorando.
 - Deixa... Vem cá.
 - Meu bem...
 - Hmm?
 - Estou grávida de novo.
 - É menina!
 - O que é que você tem?
 - Por quê?
 - Parece distante...
 - Problemas no trabalho.
 - Você tem outra!
 - Que bobagem.
 - É mesmo... Você me perdoa?
 - Vem cá.
 - Aqui não. Olha as crianças...
 - O Júnior saiu com o carro. Ia pegar uma garota.
 - Você já falou com ele sobre...
 - Já. Ele sabe exatamente o que fazer.
 - O quê? Você deu instruções?
 - Na verdade ele já sabia melhor do que eu.
 - O quê?!
 - Ah, você quer dizer...
 - Parece que é sério. 
- Ela e o analista de sistemas?
 - É. Aliás...
 - Estão vivendo juntos. Eu sabia!
 - Ela está indo para o hospital.
 - Já?!
 - São gêmeos!
 - Sabe que você até que é uma avó bacana?
 - Quem diria...
 - Vem cá. 
- Olha as crianças.
 - Que crianças?
 - Os gêmeos. A Beti deixou eles dormindo aqui.
 - Ai.
 - Que foi?
 - Uma pontada no peito.
 - Você tem que se cuidar. Está na idade perigosa.
 - Já?! 
- Sabe que a Beti está grávida de novo?
 - Devem ser gêmeos outra vez. O cara trabalha com o sistema binário. 
- Esse conjunto do Júnior precisa ensaiar aqui em casa? Que inferno.
 - E o nome do conjunto? Terror e Êxtase.
 - Vão acordar os gêmeos.
 - Ai. 
- Outra pontada?
 - Deixa pra lá. Olha, essa música até que eu gosto. Não é rock-balada?
 - Não. Eles estão afinando os instrumentos.
 - Quer dançar?
 - Não! Você sabe o que aconteceu da última vez.

15 de agosto de 2011

Contando i giorni

Ancora una volta...
Molto molto molto faticoso!


Senza dormire, mangiare e respirare, 27 giorni arriverà presto!
Oh dio, fare in fretta!!!!!

Nada mais excitante do que passar a madrugada de domingo no laboratório estudando aracnidismo e ouvindo Gotan Project as alturas!!!


3 de agosto de 2011

Um pouco de São Paulo

E o seu melhor...

Ah ... cultura! Que falta me fazes!

2 de agosto de 2011

Brincando com as cores, aromas e sabores...

Livre experimentação: Vinhos, queijos, conservas, frutas... 
ou o que mais seu paladar permitir!
Hei São Paulo, terra de arranha-céus ...

(...) a garoa rasga a carne, é Torre de Babel!

28 de julho de 2011


Strano, mi sento così Leminski

26 de julho de 2011

"[...] Tenho a impressão que já disse tudo. E tudo foi tão de repente."
(Paulo Lemisky)





" Possedere è perduto, senza dover salvare, perché è una cosa per estrarre l'essenza."
(Fernando Pessoa)

20 de julho de 2011

Se la vita fosse una colonna sonora ...




Andiamo! Per il palazzo di magia in Finganforn.

13 de julho de 2011

11 de julho de 2011

Fire



Na cartela de cortisona contam 6 comprimidos. O despertador marca 2:00 AM. O Chinelo. A Porta. A Cozinha. O Copo d'agua. A Garganta. A Crise. O medicamento. A contração abdominal. O ventilador. O pulsar. O origami na luminária. O frio. A dor. O suor. O gosto. A boca. A janela. O céu de estrelas. O vento no rosto. O encher e esvaziar dos pulmões. As coisas dos homens. O pássaro dos homens. O Voô. A luz. Meus olhos. A fixação. As outras coisas que perdem o sentido. A noite de sono. A quarto crescente. As Pretensões. Os Anceios. A lasca de epitélio dorsal. O não há piscar de luzes, ou cintilar de estrelas. A lua, ou o comprimido. A ida, ou a volta. As gentes que nos esperam. O esperar das gentes que se vão.





E Sobre o destino, o céu, meus pulmões ou as gentes: Eu nada sei. Mas essa dor no peito me diz muito sobre como é ser... quem se é.

6 de julho de 2011

30 de junho de 2011

In every life we have some trouble, but when you worry you make it double. Don't worry, be happy!!!

Festa!

25/06/2011

21 de maio de 2011

Inferno Astral

20 de maio de 2011


Inferno Astral

18 de maio de 2011


Hj o dia amanheceu cinza... e eu me lembrei do céu de São Paulo.
As buzinas no semárofo da Rua 12 de Outubro, 

a garoa fina molhando gota a gota o capus da blusa,
o vento frio rasgando o rosto,
o rosto,
o gosto de café na boca,
a boca comprando um bilhete apressado.
As pessoas apressadas,
a pressa das pessoas.
A estação da Lapa e suas catracas girando, girando e girando em todas as direções.
Para todos os lugares, possíveis e imagináveis. Cabíveis em um bilhete de papel.
O bosque coberto de orvalho e fuligem que sempre tinha um tempo pra me olhar,
e eu para ele.
As vezes penso que São Paulo nunca mais será o meu lugar, apesar de saber que ele estará sempre me esperando.
A ponte sobre a marginal Tiête, me parece tão distante como Londres,
e assim como Londres,
não me lembro se já estive lá.

Hoje o dia amanheceu cinza,
e me lembrei de um lugar,
onde o cinza também é cor de céu.

17 de maio de 2011

La fortuna ti arriverà in un villaggio?
Portare il pane la mattina
Il coltello e il formaggio, o forse ...
Per dare a me la gioia ... per farmi entrare
Tutto il resto della giornata ... il mio caffè, la mia cena
Il mio mondo tutto

16 de maio de 2011

Há de haver



Já não há castigos para os pecados do passado.
E há de haver um dia em que já não haverá passado.
Já não haverá futuro.
Haverá-se-á aquilo que já há de estar:
Presente, ama-lo-eio, até quando permitir-me.


7 de maio de 2011


Se eu não decidir o que é cedo ou tarde, penso em qualquer desculpa pra quando chegar

.

2 de maio de 2011

Plaft


Olhando assim, ninguém diz que está quebrado.
Tinha que ver muito de perto pra saber, tinha que tocar até.
E faz tempo que não deixo, porque não interessa a ninguém, além de mim.
E mesmo eu, não posso fazer mais nada agora. 
Quebrou, partiu. 
Mas, a vida segue e a gente segue como se estivesse inteiro.
 

30 de março de 2011

Ara chloroptera

Comendo castanhas, fazendo baderna e acordando a casa inteira: