José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
Não me peçam razões, que não as tenho!
Ou darei quantas queiram:
Bem sabemos que razões são palavras,
Todas nascem da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.