Sobre tanta superficialidade, as vezes penso como um poeta. Que por destinado a sofrer, o sofrimento que já não lhe doe, clareia a visão. Queria ser como Vinícius, saber das castas e impuras coisas da vida, respeita-las tão certa como elas vão acontecer. Os extremos inatingíveis estão na esquina, pisando terra e céu sem bem saber onde vão meus pés.
31 de outubro de 2011
(99)
Oh furor incontido! Que faz-me renascida para a eterna novidade do mundo, eu o saúdo com toda a glória que um ser preenchido de plenitude pode dispor! Estar vivo e ter consciência de tal condição me remete a uma desconexa rede compilatória de paradigmas e certezas absolutas e absurdas! Alguns momentos se desprendem da realidade tão abruptamente que me põem assim, num estado onde a massa e a aceleração resultam em uma espontanea inércia. Um caos formado e organizado dentro de teias sinápticas, onde íons e quimiorreceptores se embarralham, perdendo suas rotas de polarização num balé desritmado. Eu parada, olhando, ouvindo e desacreditando de minha própria sanidade. Derretendo psicoorgasmáticamente, um livro na mão, e um peixe nos olhos!
(100)
Estou atrasada! Pelo menos duas ou três gerações. Definitivamente nasci na época errada. Essa minha geração não é pra mim. Quero namorar com meu avô, e me casar (casar?) com um homem que tenha os princípios morais que aprendi que um homem deve ter. Os homens dessa geração não são pra mim, quero chegar em casa e ouvir um bom e velho Rock´n Roll, tomando um bom chá de pêssego colhido do pé. Quero pegar a motocicleta, subir de onde se aviste a cidade e tocar a noite inteira uma música qualquer que fale de um sentimento verdadeiro. Estou farta dessa geração de pseudos. Pseudos intelectuais que não lêem livros, pseudos românticos que desconhecem o significado de mandar flores, pseudos amigos que não conseguem dizer a verdade. Estou atrasada. Meu relógio parou. Fui em uma festa onde a rainha da noite é quem beija mais caras, e eu não beijei ninguém. Estou errada, eu e a cigana na estação de trem que pegou minha mão e disse que eu não era o que aparentava ser. Estou errada em tudo, ou estou realmente atrasada. Sou da geração em que as meninas escrevem diários e pedem a benção aos pais. Vou casar com um homem que lê folhetins da ditadura enquanto repousa em uma cadeira de balanço, que carregue douçura no olhar, e que talvez morra nos próximos dois anos, de pneumonia ou uma dessas doenças que atingem a melhor idade. Não entendo o porque desse desmedido atraso. A culpa é do meu avô, só pode ser dele. Que ensinou ao meu pai, que me ensinou, como me comportar. Que me ensinou que não é necessário mostrar a polpa da bunda pra se chamar a atenção de um homem (mas os homens dessa geração preferem as bundas). Se eu tivesse 70 anos juro que casava com ele. Mas meu relógio parou, e eu só tenho 23.
16 de outubro de 2011
Un café de ciudad, un café de verdad.
1 de outubro de 2011
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