Abstenho-me da escrita por não dispor inspiração.
Nenhum estalido de beijo ou cintilar de estrelas, nenhum perfume que me faça despertar as palavras.
Olhos e ouvidos cerrados: Injúrias a realidade.
Atônitos pensamentos se despontam me apontam e desapontam:
Não sei discorrer sobre a razão.
Lampejos de realidade ofuscam-me os sentidos.
Envolta num véu factual, fatídico, caminho às escuras.
Como um moinho que carece de vento para volver
tenho as engrenagens endurecidas,
corroídas pela veracidade dos fatos.
Pelejando pra emoldurar na ferrugem do ontem a inconsistência do amanha.
Outrora rastejei migalhas de inspiração.
Hoje meu contento é digerir na mudez,
solitude, solidez e solidão.