13 de junho de 2012

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“Um urubu posou na minha sorte”. Pensei quão interessante seria uma fotografia deste momento. Sob as folhas buritiranas de um céu azul, escaldante e tenso. De repente, uma nuvem. Veio vindo, se arrastando... e parou. Um pássaro lindo voou sob ela, lindo de doer os dentes e a alma. Voltei-me para cima e olhei. Com a mão tapando a quentura do calor nos olhos. Esperem, é preto. Um urubu posou na minha sorte.


Em agradecimento á Augusto,
Augusto do Anjos, in "Eu"

Tome, Dr., esta tesoura, e ...corte minha singularíssima pessoa. Que importa a mim que a bicharia roa todo o meu coração, depois da morte? Ah! Um urubu pousou na minha sorte! Também, das diatomáceas da lagoa a criptógama cápsula se esbroa ao contato de bronca destra forte! Dissolva- se, portanto, minha vida igualmente a uma célula caída na aberração de um óvulo infecundo; mas o agregado abstrato das saudades fique batendo nas perpétuas grades do último verso que eu fizer no mundo!